Foi um breve vulto de felicidade.
Um vento sorrateiro que adentra a janela quando mal a fechamos.
Passou-se.
Quase não mais me lembro,
Neste deserto rarefeito de minha alma,
Do frescor de um vento que se dissipa
Após as tempestades que, assustadoramente abundantes, afogam;
Mas que, com sorte, nutrem vida da decomposta que fica ao rastro de sua passagem.
São como ninhos de elefantes com marcas de marfim em dominó nas cascas ásperas das árvores, Primitivas comunicações em potências de antologias
Que não poderão ser ouvidas pelas almas ainda selvagens.
Por isso o amor é gutural.
Uma entranha fisiológica já esquecida pela plástica suavização
Da elegância cínica de animais coreografados.
Ela sempre foi a afonia da alma.
Não há que ser dito, se dizer já é perder.
Então não é fogo,
Porque esse queima com ardor de consumir pele,
Alimento único do tempo, que não vemos.
E se ferir dor é o que se sente,
Causa é a ausência descontente,
O atino apenas à leal dor que se está presente
No cárcere servil do tempo vencedor.
E a favor do mísero homem, sim, resta-se verdadeiramente amigo das vontades,
Não vendo-se a si próprio
Contraditório ao amor.
Bruno Teodoro
14/12/2023