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9 de março de 2024

O latido de um cão sarnento.

É insuportável olhar à miséria que escorre pelos chãos d'alhures. Lá ficam; pouco sabem que estão. E a imobilidade humana pede aos porões sempre lustros aos azulejos de sua impermeabilidade inlúcida, venérea e vilipendiosa. 
As casas assépticas são as mesmas eugênicas. Aquela que limpa é resto e sujeira que inda não vale o descarte que lhe pagam. As sarnas dos cães ladroam a piedade de um cristo cravejado n'ouro. E assim, por isso, um cão guarda o maltrapilho: são franciscos da caridade; adotam o miserável faminto para sorvel dos miseráveis nutridos a carne de dividir no abrigo.
                                                Bruno Teodoro

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