A inquieta lente não se fuga
Destes sépios olhos de penumbra,
Qual mal da carne me só ruga
O tempo, a que melhor me adumbra.
E esse sem só jeito em clara uga,
Qual em todos ligeiro só alumbra
Sua alcova num instante - cousa nuga -,
E a vida obtura e a translumbra.
Porque passageiro aqui moldura
nestes tenros olhos de calúnia,
a captura, tal fleche, mal perdura.
Ah! Visto que tudo é pecúnia!
E qual vida dura e qual futura
é esta que não seja, nós, penúria?
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