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3 de junho de 2017

A inquieta lente não se fuga
Destes sépios olhos de penumbra,
Qual mal da carne me só ruga                          
O tempo, a que melhor me adumbra.

E esse sem só jeito em clara uga,
Qual em todos ligeiro só alumbra                    
Sua alcova num instante - cousa nuga -,
E a vida obtura e a translumbra.

Porque passageiro aqui moldura
nestes tenros olhos de calúnia,
a captura, tal fleche, mal perdura.

Ah! Visto que tudo é pecúnia!
E qual vida dura e qual futura
é esta que não seja, nós, penúria?

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